Empresa referência na manufatura de componentes metálicos completa dois anos sob nova gestão
Dois anos após o início da nova gestão, a Obispa vive um momento de consolidação de um reposicionamento que altera não apenas sua forma de produzir, mas também sua identidade no mercado. A empresa, historicamente ligada à manufatura de componentes metálicos, avança agora para um modelo de negócio centrado na criação, no design e no desenvolvimento de soluções de alto valor agregado.
Essa evolução passa, entre outros, por uma mudança de postura comercial e pelo fortalecimento das relações com o mercado B2B. Antes marcada por uma atuação reativa, a empresa passou a adotar uma postura de aproximação direta com clientes e parceiros. Fortalecemos o nosso relacionamento com a indústria no mercado B2B. Estamos mais proativos, indo ao cliente e perguntando: ‘o que nós podemos fazer?’”, diz o CEO da empresa, César Cini.
Essa aproximação também se reflete na presença da marca na Fimma e acompanha uma série de transformações no design como coração da marca, que neste ano celebra quatro décadas de história… modernizou seu parque fabril, com novos equipamentos de injeção e galvanização. A empresa ganhou nova identidade visual, esteve no iSaloni, em Milão, lançou a primeira coleção – Poesia Nella Forma –, assinada pela designer italiana Benedetta Ruspini e aproximou a Obispa do Cinex Lab Itália, o laboratório de novidades mantido pela organização homônima no país europeu, integrante do mesmo grupo que controla a Obispa.
As iniciativas fortaleceram o núcleo produtivo em pesquisa e desenvolvimento, bem como na criação de uma cultura interna voltada à inovação. “Nós estamos com um P&D muito mais proativo”, destaca a gestão, apontando a criação de estruturas como a materioteca e a consolidação de processos mais integrados.
Para o CEO, no entanto, a principal transformação vai além da estrutura técnica. Ela alcança a própria essência do negócio. “Na minha perspectiva, a grande mudança é a consolidação de uma empresa de criação. Antes de ser uma empresa de manufatura e processamento, a Obispa é uma empresa de criação. A criação é o mote principal”, opina o CEO. Esse reposicionamento redefine inclusive a forma como os produtos são concebidos. “Nós trabalhávamos com elementos funcionais. Agora, vemos os puxadores e as maçanetas como adornos, como elementos estéticos”.
A evolução também reposiciona a Obispa de uma empresa de produto para uma marca de conceito. “Temos narrativas, referências e pesquisas nacionais e internacionais”, observa. Esse novo modelo amplia o alcance da empresa para além do setor moveleiro, tradicional base de atuação, abrindo espaço para o desenvolvimento de projetos exclusivos em outros segmentos de mercado, como arquitetura e moda. A mudança também impacta o modelo de negócios, que deixa de ser centrado em varejo e passa a atuar de forma cada vez mais direcionada a indústrias e projetos especiais.
Outro eixo da transformação está na cultura organizacional, que passou a valorizar colaboração e troca, com talks, workshops e experiências imersivas. “Antes, nós tínhamos uma exposição estática de produtos. Hoje trabalhamos com mood boards, essa experiência do toque”. A gestão também destaca a mudança na forma de trabalho interno. “Agora nós trabalhamos com inteligência coletiva humana, a potência do grupo é isso”.
Essa nova lógica também se reflete na abertura da empresa para o mercado, com maior presença institucional e de comunicação.
Design, materiais e capital criativo
No desenvolvimento de produtos, a inovação passa pela introdução de novos materiais e pela valorização do design como diferencial competitivo. “Nós estamos introduzindo novos materiais, além de acabamentos galvânicos e madeira também. Hoje, os materiais assumem um papel protagonista na área de desenvolvimento de produto, junto com a narrativa”, observa o CEO. A empresa reforça ainda a importância do que chama de capital criativo e cultural. “O que é capital criativo? É formado por pessoas que pesquisam, é referência, é viagem. Ninguém cria nada do nada”.
A experiência de apresentação dos produtos também se torna parte do valor entregue ao cliente, com atenção à embalagem, ao design e à narrativa. “Estamos entregando os puxadores dentro de uma embalagem pensada para proporcionar uma experiência”, diz.
Apesar das mudanças já visíveis, a gestão reforça que o ciclo ainda está em curso e que os resultados mais consistentes devem aparecer nos próximos anos, tendo como ponto de partida o ano de 2027. “Uma coisa é você começar movimentos, outra coisa é você sustentar e consolidar”. A empresa também reafirma seu posicionamento de nicho, afastando-se da lógica de volume e commodities. “Nosso caminho é o valor agregado, sustentado por pesquisa, inovação, design e narrativa”, pontua Cini.